Todos nós, em algum momento, passamos por situações em que somos questionados sobre algo errado que fizemos. Imagine uma cena comum: uma criança derramou leite na mesa da cozinha. O pai, ao ver a bagunça, se aproxima do filho e pergunta: “Foi você que derramou o leite?” A criança, com a camisa ainda molhada de leite, rapidamente responde: “Não, não fui eu.” Mesmo com a evidência clara de que ela é a responsável pelo acidente, a criança tenta se esquivar da verdade, jogando a culpa em qualquer outra pessoa. Quantos de nós já não fizemos algo parecido?
Essa cena ilustra um comportamento humano muito comum: a tendência de negar algo que sabemos que é verdade, mesmo quando as evidências estão bem diante de nós. É como se estivéssemos relutantes em confessar nossas falhas, nossos erros, ou até mesmo nossas crenças mais profundas. Essa resistência não se limita apenas a situações triviais como um copo de leite derramado, mas se estende a questões mais profundas e significativas, incluindo nossa fé e nossa visão de mundo.
Vivemos em um mundo onde, muitas vezes, somos pressionados a adotar certas crenças ou confissões, mesmo quando elas não refletem verdadeiramente o que acreditamos em nosso coração. Por exemplo, quantas vezes não nos encontramos em uma sala de aula, ouvindo um professor falar sobre a teoria da evolução de Darwin, e, sem entender completamente, acabamos concordando ou aceitando aquela ideia? Repetimos o que ouvimos, muitas vezes sem questionar ou buscar um entendimento mais profundo, apenas para nos encaixarmos no que é socialmente aceito ou esperado.
O problema é que, ao fazer isso, estamos confessando algo que pode não estar alinhado com a nossa fé ou com a verdade bíblica. Quando aceitamos a evolução como fato sem questionar, estamos, de certa forma, negando a criação divina, como descrito nas Escrituras. Isso não quer dizer que não devemos estudar ou compreender as teorias científicas, mas precisamos ter discernimento e base bíblica sólida para saber onde estão as diferenças e como elas afetam nossa fé.
Outra confissão comum nos dias de hoje é a ideia de que o mundo alcançará paz e harmonia se todos simplesmente praticarem a generosidade e a bondade. Embora esses sejam valores importantes e que, sem dúvida, devem ser cultivados, essa visão é ingênua e incompleta. Ela ignora a realidade do pecado, da maldade e do egoísmo inerente ao ser humano. A verdadeira paz, segundo as Escrituras, só será alcançada quando Jesus Cristo retornar e estabelecer Seu reino de justiça. Confessar que a paz mundial pode ser obtida apenas por meio de esforços humanos é desviar-se da verdade bíblica.
Também somos levados a acreditar que a felicidade máxima é encontrada na conquista material e no reconhecimento pessoal. Essa ideia está profundamente enraizada na cultura corporativa e profissional, onde o sucesso é medido por cargos elevados, salários altos e prestígio social. Muitos de nós, ainda que inconscientemente, confessamos que alcançar essas metas nos trará a verdadeira felicidade. Mas, novamente, essa é uma confissão que não está alinhada com os ensinamentos de Cristo. Jesus nos ensina que a vida verdadeira não consiste na abundância de bens, mas em seguir a Deus e viver segundo a Sua vontade.
Uma das confissões mais perigosas que fazemos é a de que Deus existe para nos fazer felizes e satisfazer todos os nossos desejos. Essa visão distorcida de Deus transforma o Criador do universo em um mero atendente de nossos caprichos, como se Sua principal função fosse garantir nosso conforto e felicidade terrena. No entanto, as Escrituras nos mostram que Deus nos chama a uma vida de obediência e serviço, onde nossa alegria verdadeira é encontrada em fazer a vontade Dele, e não em buscar nossos próprios interesses.
Em contraste com essas confissões errôneas, o apóstolo Paulo, em Romanos 10:9, nos dá o exemplo de uma confissão que verdadeiramente importa: “Se você confessar com a sua boca que Jesus é o Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.” Essa é a confissão que deve moldar toda a nossa vida. Quando Paulo fala sobre confessar que Jesus é o Senhor, ele está se referindo a um reconhecimento profundo e sincero de que Cristo é o soberano sobre todas as áreas da nossa vida.
Paulo escreveu essas palavras para os cristãos que viviam em Roma, uma sociedade profundamente pagã. Os romanos adoravam muitos deuses e seguiam diversas filosofias e crenças. Confessar que Jesus era o Senhor, nesse contexto, não era uma simples declaração, mas uma afirmação de lealdade exclusiva a Cristo, rejeitando todas as outras crenças e deidades. Era uma confissão que colocava esses cristãos em desacordo com a cultura ao seu redor, muitas vezes resultando em perseguição.
Da mesma forma, quando confessamos que Jesus é o Senhor, estamos afirmando que Ele é o soberano sobre nossas vidas, que Sua vontade é suprema, e que nossa lealdade a Ele está acima de qualquer outra coisa. Essa confissão não pode ser apenas de palavras, mas deve ser refletida em nossas ações e decisões diárias. Se realmente acreditamos que Jesus é o Senhor, isso deve se manifestar na maneira como vivemos, como tratamos os outros, e como priorizamos as coisas em nossa vida.
Por outro lado, se nossas ações e prioridades contradizem essa confissão, estamos vivendo uma mentira. É como se estivéssemos naquela sala de interrogatório, onde, sob pressão, confessamos algo apenas da boca para fora, sem que isso seja uma verdade consolidada em nosso coração. A verdadeira confissão de fé em Jesus deve ser algo que flui naturalmente de um coração que já foi transformado pela graça de Deus.
Viver de acordo com essa confissão também significa resistir à tentação de controlar e dominar todas as áreas da nossa vida. Todos nós temos uma inclinação natural para querer estar no controle, para ter poder sobre as circunstâncias e as pessoas ao nosso redor. No entanto, confessar que Jesus é o Senhor implica em abrir mão desse controle, entregando-o a Ele. Significa confiar que Deus sabe o que é melhor para nós e que Sua vontade, ainda que por vezes difícil de entender, é sempre boa, perfeita e agradável.
Essa rendição ao senhorio de Cristo é um desafio diário, mas é essencial para quem deseja viver uma vida que realmente reflete sua fé. Quando confessamos que Jesus é o Senhor, estamos também nos comprometendo a alinhar nossas prioridades aos propósitos de Deus, buscando viver de maneira que glorifique Seu nome em tudo o que fazemos.
Assim, enquanto refletimos sobre as confissões que fazemos diariamente, que possamos examinar nossos corações e buscar alinhar nossas palavras e ações com a verdade do Evangelho. Que nossa confissão pública de fé seja um reflexo genuíno do que já está consolidado em nosso interior, para a glória de Deus e para o avanço do Seu reino.