O sucesso deixa rastros

O sucesso deixa rastros. Quem já ouviu essa frase alguma vez na vida? É uma frase bem popular, não é? Mas eu acho que, pelo menos uma vez, você já escutou isso. E por mais que essa frase seja comum, ela faz um pouco de sentido. Por que eu digo isso? Se a gente olhar para algumas pessoas que tiveram algum tipo de sucesso, pense aí em uma pessoa que você segue, alguém que você gosta muito. Às vezes, essa pessoa tem um sucesso empresarial ou artístico. Se começarmos a olhar a história dessa pessoa e fizermos uma engenharia reversa, conseguimos ver onde ela começou, os primeiros desafios, as primeiras histórias, e de alguma forma, nos identificamos com essa fase inicial. Identificamos-nos talvez com a fase da dificuldade, com as fases que antecederam o sucesso dessa pessoa, e tentamos seguir no rastro que essa pessoa deixou para alcançar um sucesso relativamente parecido.

Quando começamos a pensar sobre isso, percebemos que para chegar a um lugar existe um plano a ser traçado. Esse plano depende de atitudes e da capacidade que nos levam a conquistar um objetivo específico. Você tem um objetivo lá na frente, você traça planos, ideias, metas, e com as suas atitudes e capacidades, em algum momento, alcança esse objetivo. Esse é o sucesso que queremos, e ele está muito ligado à nossa persistência e competência. Se pudéssemos tirar um conceito básico disso tudo, seria que o esforço é a alma do sucesso. Quanto mais você se esforça em pequenos passos, mais sucesso você tem.

Pense em algumas pessoas conhecidas que tiveram grande sucesso. Steve Jobs, por exemplo. Ele criou a Apple e o iPhone, algo que revolucionou nosso século. Elon Musk, que criou o PayPal, fundou a Tesla e a SpaceX, é outra pessoa de sucesso. Michael Jackson, o rei do pop, é conhecido mundialmente. E no esporte, figuras como Cristiano Ronaldo são reconhecidas globalmente. Essas pessoas, cada uma em seu campo, usaram suas capacidades e esforços para alcançar grandes feitos.

Um livro que menciona essa busca incessante pelo sucesso é “Ego Transformado” do pastor Tim Keller. Em um trecho, ele conta a história de uma pessoa que colocou a seguinte frase em um tabloide: “O que me impulsiona na vida é o medo de ser medíocre. Esse medo é o que sempre me impele. Eu venço os meus ataques e descubro-me como um ser humano especial, mas logo continuo me sentindo medíocre e desinteressante a menos que eu faça outra coisa espetacular. Apesar de ter me tornado alguém, ainda tenho que provar que eu sou alguém. A minha luta não terminou e eu acho que ela nunca vai terminar.” Essa frase é de Madonna, alguém que ganhou tudo o que poderia desejar, mas ainda se sente impulsionada pelo medo de ser medíocre. Mesmo com tanto sucesso, esse medo persiste.

Nós também passamos por isso. Temos medo de ser medíocres em nossas vidas, casamentos, como pais. Esse medo está presente em nossos corações, e tenho certeza de que você também sente isso. Quando olhamos para o sucesso, desejamos algumas coisas que só ele pode trazer. Talvez você olhe para a sua história, seus sonhos, suas oportunidades e sinta que não conseguiu alcançar tudo o que desejava. Isso pode gerar um senso de mediocridade, a sensação de que não vai alcançar um lugar significativo no mundo.

Mas, se olhássemos para nossos desejos mais profundos e para as perguntas que entram em nossa mente, talvez nos perguntemos: Qual é o sucesso que buscamos? Quando pensamos em uma vida bem-sucedida, o que vem à nossa mente? Qual é a vida que finalmente chegou onde queríamos chegar? Se fosse um lugar, que lugar seria? Se fosse um espaço, que espaço seria? Com quem estaríamos nesse lugar?

Quando olhamos para o evangelho, vemos que Deus tem uma definição de sucesso radicalmente diferente do que o mundo nos ensina. O evangelho nos constrange a mostrar que o sucesso que o mundo ensina não tem nada a ver com o sucesso que Deus quer para nossas vidas. O mundo ensina que quanto mais você faz, mais sucesso você tem. O evangelho ensina que quanto mais você descansa em Cristo, mais você se sente completo. São coisas completamente diferentes. De um lado, vemos o fazer, executar, crescer. Do outro, o evangelho nos chama a descansar em Deus, reconhecendo que Ele está governando sobre todas as coisas.

No capítulo 3 de Filipenses, Paulo nos diz: “Alegremo-nos no que Cristo fez por nós. Não colocamos nenhuma confiança nos esforços humanos.” Antes de continuar sua mensagem, Paulo nos lembra de nos alegrarmos no que Cristo fez. Não nos alegramos em nossas capacidades ou esforços, mas no sacrifício de Jesus. Muitas vezes, como cristãos, olhamos para o sacrifício de Jesus e achamos que poderíamos ter feito melhor. Vivemos nossas vidas dessa maneira, pensando que nossas ações, como dar o dízimo ou servir na igreja, são suficientes. Mas a verdade é que Jesus pagou um preço que nossa honestidade ou dinheiro jamais poderiam pagar.

Paulo continua dizendo que antes ele pensava que suas conquistas eram valiosas, mas agora as considera insignificantes por causa de Cristo. Toda a história de Paulo, toda a sua formação e conquistas, ele agora considera lixo em comparação ao conhecimento de Cristo. Isso nos leva a refletir sobre onde estamos colocando nosso valor e nossas esperanças.

Quando encontramos Jesus, Ele transforma nossas vidas de tal maneira que aquilo que considerávamos tão importante se torna insignificante. Nossas conquistas, nossos esforços, tudo perde o brilho diante da beleza de Cristo. É um convite a reconhecer que a verdadeira vida, o verdadeiro sucesso, está em conhecê-lo e ser encontrado por Ele. Esse é o maior tesouro que podemos ter, e é algo que precisamos compartilhar com o mundo.

Assim, enquanto o mundo nos ensina a buscar sucesso e reconhecimento, o evangelho nos chama a descansar em Cristo e encontrar nossa completude nEle. Ao contemplarmos a beleza de Cristo e o seu sacrifício, somos transformados, e nosso coração se torna fascinado por Ele. É nessa fascinação e nesse encontro que encontramos o verdadeiro sentido da vida, algo que nem o maior sucesso mundano pode nos proporcionar.