A discussão sobre o controle e a ausência de controle na vida cristã é um tema profundo e instigante. Dentro da estrutura da vida, homens e mulheres chamados por Deus precisam controlar algumas coisas, mas há outras que não nos pertencem. A confusão surge quando tentamos assumir o controle que não nos cabe, deixando de lado aquilo que deveríamos realmente manejar. A nova mentalidade que Jesus nos concede nos faz ver essa dualidade de forma clara.
Essa mentalidade traz uma visão ambígua sobre o controle e a ausência dele. Parece confuso saber o que controlar e o que deixar nas mãos de Deus. Ao perguntarmos como percebemos e manejamos o controle em nossas vidas, nas áreas da família, trabalho e relacionamentos, revelamos a necessidade de discernimento. Jesus estabelece uma nova mentalidade em nós através da ação do Espírito Santo, conforme a instrução de Paulo na carta aos Filipenses.
Paulo nos ensina em Filipenses 1:6-11 que aquele que começou a boa obra em nós a completará até o dia de Cristo Jesus. Ele enfatiza a importância de um crescimento em amor, conhecimento e percepção, para discernirmos o que é melhor e sermos puros e repreensíveis até o dia de Cristo. Este discernimento nos leva a uma reflexão sobre nosso desejo inato de controlar. Desde crianças, temos esse impulso de controlar, que se manifesta de diversas formas em nossa vida adulta.
Paulo, mesmo preso, expressa seu amor e preocupação pelos irmãos na fé, mostrando que a prisão física não impede a liberdade espiritual. Ele ressalta que alguns controles pertencem a Deus, e que nosso desejo de poder e controle precisa ser constantemente submetido à compreensão do Evangelho. O Evangelho, ao contrário do desejo humano de poder, nos ensina a render nosso controle a Deus.
O exemplo de Paulo é claro: mesmo acorrentado, ele se sentia livre em Cristo, porque seu desejo de controle foi mutilado pelo poder do Evangelho. Isso nos confronta, nos fazendo refletir sobre as áreas em que buscamos controle na vida – seja no relacionamento com cônjuges, filhos, trabalho ou igreja. A verdadeira liberdade está em reconhecer que o poder e o controle pertencem a Deus.
Essa percepção nos ajuda a descansar em Deus, confiando que Ele está no controle absoluto. A sociedade nos pressiona a controlar tudo, a estar sempre informados e preparados, mas o Evangelho nos chama a confiar em Deus. Como diz Paulo, precisamos crescer em amor, conhecimento e discernimento, não em controle humano.
Jesus nos ensina a não nos preocuparmos com o que não podemos controlar, nos protegendo da ansiedade e da ilusão do falso controle. A soberania de Deus é clara quando lemos que Ele é o Senhor de todas as coisas, detentor da grandeza, poder, glória, vitória e majestade. Tudo nos céus e na terra pertence a Ele, e Ele governa sobre tudo.
A declaração de soberania de Deus é um alívio para nossa alma. Deus não tem problemas, Ele tem planos. Ele não está sobrecarregado com os problemas do mundo, mas sim executando seus planos perfeitos. Quando nos sentimos oprimidos pelo desejo de controlar, precisamos lembrar que Deus é o arquiteto de todas as coisas e que Ele cuida de nós.
Em nossa vida cotidiana, devemos distinguir entre o que podemos controlar e o que pertence a Deus. Isso não significa viver de forma irresponsável, mas confiar na soberania de Deus. Devemos planejar e agir com responsabilidade, mas sempre submetendo nossos planos à vontade de Deus.
Paulo ora para que os Filipenses cresçam em amor, conhecimento e discernimento. Este crescimento não é uma equação simples, mas um processo contínuo de conhecer mais a Cristo e permitir que Seu amor molde nossas ações. O amor do Evangelho não é volúvel, mas enraizado no conhecimento de Deus e na sensibilidade ao Espírito Santo.
Viver uma vida cristã madura significa abandonar o desejo de controlar tudo e confiar na providência de Deus. Não devemos ser infantis no entendimento, mas buscar a maturidade espiritual. Paulo nos lembra que o verdadeiro crescimento espiritual resulta em pureza de coração.
Em resumo, a nova mentalidade que Jesus nos oferece nos desafia a entregar nosso desejo de controle a Deus. Ao fazermos isso, encontramos verdadeira liberdade e paz. A soberania de Deus é nossa segurança, e nosso crescimento em amor, conhecimento e discernimento nos guia para uma vida plena e alinhada com a vontade divina. Que possamos, como Paulo, descansar na certeza de que Deus completará a boa obra que começou em nós.