A mensagem central da pregação propõe a formação de uma nova sociedade, um grupo de pessoas cujo modo de vida contrasta radicalmente com o mundo ao redor. Esta instrução principal encontra-se em Efésios 4:17-24. Paulo desafia os crentes: “Não vivam mais como os gentios”. Ele exige, portanto, que abandonemos o velho modo de pensar e agir para Viver a Nova Natureza.
Os Hábitos Moldados pela Cultura
Nossa cultura e o contexto em que vivemos moldam nossos hábitos e costumes. Por exemplo, a forma como as pessoas consomem açaí ou a quantidade de beijos que se dão ao cumprimentar variam drasticamente de uma região para outra. Assim como as culturas regionais, as sociedades criam padrões que influenciam profundamente a vida de seus membros.
Deus, no entanto, está edificando uma nova sociedade. Ao contrário das sociedades formadas por simples hábitos culturais, esta nasce em um caminho oposto, que chamamos de contracultural. O modo de vida do povo de Deus não deriva dos costumes do mundo. Por conseguinte, a fé nos confronta diretamente em nossa maneira de ver o mundo, nossas crenças e nossos desejos.
O Evangelho e a Transformação Genuína
O evangelho não oferece apenas o perdão dos pecados; ele traz uma mensagem poderosa que muda vidas e gera transformação. Portanto, a graça é a chave que nos permite transformar nosso modo de viver. Não é o mérito, nem o esforço humano que nos transforma. Pelo contrário, é a habitação do Espírito Santo que nos confronta.
Quando o evangelho nos impacta, o Espírito Santo, em primeiro lugar, convence a pessoa do seu pecado e da justiça de Deus. Em outras palavras, a transformação do coração se torna necessária e acessível por meio da graça.
O Contexto da Imoralidade em Éfeso
Éfeso, a cidade para a qual Paulo escreve, era notória. A cidade tinha um templo dedicado à deusa Ártemis (Diana), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Além disso, Éfeso era um centro de adoração pagã e prática de feitiçaria, sendo conhecida por sua baixa moralidade sexual. A cultura local vangloriava a “liberdade dos desejos”, um ambiente que se assemelha muito à realidade contemporânea.
Paulo escreve para pessoas que enfrentavam uma mentalidade de imoralidade. Da mesma forma, hoje, somos escravos das nossas inclinações e desejos. O desafio, então, é confrontar o estado atual que diz: “Viva como você sempre sonhou”. Frequentemente, slogans motivacionais nos impulsionam a buscar a autogratificação a todo custo.
A Doença da Autoglorificação
A sociedade moderna prega que a pessoa “merece muito mais do que tem” e que “merece ser feliz” a qualquer custo. Contudo, Paulo argumenta que esses pensamentos são vaidosos e revelam uma religião sutil: a autovangloriação, onde a pessoa se torna o seu próprio ídolo.
Paulo descreve o processo de degradação da velha natureza em três passos claros. Em primeiro lugar, a pessoa tem seu entendimento obscurecido por pensamentos vãos, resultando na separação da vida de Deus. Em seguida, essa ignorância leva à dureza do coração, impedindo-a de reconhecer as verdades de Deus. Por fim, as pessoas se tornam insensíveis e se entregam à libertinagem e a todo tipo de impureza.
A Crise de Sentido e o Niilismo
Quando o homem retira Deus do centro da vida, tudo se torna possível. Consequentemente, a referência de uma verdade absoluta e de uma moral desaparece. É por isso que muitos afirmam que “cada um tem a sua própria verdade”. Assim que Deus é retirado de cena, a vida perde o seu propósito.
O conceito filosófico do niilismo, onde “tudo é vão” e “nada tem propósito”, reflete essa perda de sentido. Essa crise de significado faz com que a vida se torne um fardo pesado. Afinal de contas, sem verdades eternas, não há esperança de libertação final desse fardo.
A Solução Inegociável: A Cruz de Cristo
A solução para a imoralidade e a violência social é constante: a cruz de Cristo. O evangelho confronta o relativismo ao declarar: Existe uma Verdade, e essa verdade se chama Jesus.
Jesus não ensinou apenas um código de moralidade. Ele apresentou uma nova ética que flui de um relacionamento transformador com Deus. A ética cristã está ligada à fé e ao arrependimento. Se a moralidade for estabelecida apenas pela pessoa, os desejos logo serão mais fortes.
Renovação e Instrução em Cristo
Você ouviu falar de Cristo? Mais importante ainda, você foi instruído Nele? Paulo questiona se os crentes realmente aprenderam de Cristo. Não basta apenas o ouvir; o crente deve ser instruído pela Palavra. Esta nova sociedade é formada por aqueles que reconhecem a sua natureza corrompida e se deixam renovar pelo Espírito.
O Espírito Santo faz morada no crente pecador, renovando a natureza. Os degraus da degradação são substituídos pelos degraus da reconstrução. Onde havia escuridão, a pessoa recebe entendimento. Analogamente, o coração de pedra se transforma em um coração de carne, capaz de discernir as palavras de Cristo. O caminho da queda se torna um caminho de reconciliação e reconstrução.
Viver a Nova Natureza na Prática
Viver a nova natureza é um grande desafio diário. Isto é, devemos lutar contra os desejos e colocá-los sob a cruz. Paulo afirma que ele esmurra o próprio corpo para fazê-lo escravo de Cristo. Quanto mais nos apropriamos da verdade, mais nos tornamos sujeitos à lei de Deus. A lei deixa de ser um conjunto de regras e passa a ser parte da nossa história.
Em conclusão, devemos abandonar a velha natureza, as “roupas velhas” de uma vida antiga, e reconhecer que o que aprendemos em Cristo é superior às nossas certezas. O propósito de Deus para nós não são feitos gigantescos; frequentemente, ele é encontrado em ser um pai que cuida, uma esposa que serve, ou um irmão em Cristo que se envolve na comunidade. O maior milagre é o coração de pedra transformado.
Que o Senhor encha o seu coração de propósito e que a sua vida possa, pela graça, Viver a Nova Natureza em meio a uma sociedade que não entende o poder da cruz.